Introdução: A Organização das Sete Linhas
As 7 Linhas de Umbanda são uma forma de organização espiritual adotada nos terreiros desde 1908. Espíritos são agrupados em Linhas, Falanges, Legiões e Povos, uma estrutura inspirada nas organizações militares romanas para permitir que o trabalho espiritual se desenvolva de forma fluida.
A Linha das Almas (ou Linha Africana, Yofá ou Yorimá) servia originalmente como uma “Linha de Ingresso” para espíritos que aspiravam trabalhar na Umbanda. Nela, entidades convertem trabalhadores trevosos e resgatam suas faltas através da caridade.
Regência e Magia
Diferente de outras linhas, a das Almas possui um colegiado de regentes. Entre eles estão São Roque, São Lázaro, São Bento, São Benedito e São Cipriano, além da influência do Orixá Omulú. Por ser eclética, é a linha mais flexível da Umbanda, atuando em curas, limpezas, benzimentos e desobsessões.
As 7 Falanges da Linha Africana
1ª Falange (Povo da Costa): Chefiada por Pai Cabinda
Chefiada por Pai Cabinda, essa falange reúne diversas culturas africanas. Seus Pretos-Velhos geralmente foram líderes comunitários e apresentam um perfil doutrinador, educador e influente, focados na devoção a Nzambi (Deus).
2ª Falange (Povo do Congo): Chefiada por Rei Congo.
Sob o comando do Rei Congo, possui uma postura firme e enérgica. É composta por Pretos-Velhos curandeiros e grandes Kimbandas, que dominam a lida com os elementais d’água e foram essenciais na resistência do povo Bantu à conversão religiosa.
3ª Falange (Povo de Angola): Composta por figuras brandas e rezadores.
É a falange mais comum nos terreiros, composta por figuras brandas e calmas. Muitos eram rezadores e terapeutas da alma que já utilizavam o terço católico e a magia cristã ainda em solo africano, mesclando sua fé original com a devoção aos santos.
4ª Falange (Povo de Benguela): Curandeiros que dominam a "macaia".
Chefiada por Pai Benguelê, agrupa curandeiros com grande domínio sobre os recursos da macaia (mata virgem). São observadores, calados e costumam trabalhar de forma mais reservada, longe de aglomerações.
5ª Falange (Povo de Moçambique): Fazedores de feitiços combativos.
Comandada por Pai Jerônimo, esta falange é composta por “fazedores de feitiços” combativos. Diferente dos Pretos de Angola, eles trabalham no enfrentamento direto contra obsessores e espíritos perturbadores.
6ª Falange (Povo de Luanda): Liderada por Pai Francisco e composta por antigos militares tribais.
Sob o comando de Pai Francisco, reúne espíritos que foram líderes militares e generais na África. São muito aguerridos, enérgicos e trabalham no embate direto contra as trevas, exigindo disciplina dos filhos de fé
7ª Falange (Povo de Guiné): Comandada por Pai Guiné, detentores da "Mironga".
Chefiada por Pai Guiné (Zunguiné), é composta pelos grandes mestres africanos (Tatas e Mulojis). Detêm a “Mironga” e são responsáveis por fazer a conexão entre a Umbanda e o Reino de Exu, abrindo as portas para sua manifestação
Ancestralidade: Honrar quem veio antes

No Terreiro Pena Verde, a sabedoria das Almas atravessa gerações, unindo o passado ancestral ao futuro da nossa fé.
A ancestralidade é a base da Linha das Almas. Significa reconhecer que sua vida só é possível hoje porque milhares de antepassados pavimentaram o caminho.
Para que você nascesse, foram necessários 4.094 ancestrais apenas nas últimas 11 gerações.
- Curar a raiz: Uma de nossas missões é ajudar a família a se curar de defeitos e fortalecer virtudes.
- Conexão direta: Estar ligado à sua ancestralidade é ter uma fonte inesgotável de Axé e proteção sanguínea.
- O ensinamento do Preto-Velho: Eles nos lembram de valorizar os mais velhos e o axé da Mãe-África, mantendo viva a fé apesar das dores da história.
“Quando ver um preto-velho sentado no toco, lembre o que ele representa: um lembrete para que você honre seus antepassados e valorize o axé que corre nas suas veias.”