Béjí Beijada Erê! Oni Bejada!

Béjí Beijada Erê! Oni Bejada! 

Salve as crianças na Lei de Umbanda. Salve São Cosme e Damião.

Muitos médiuns não têm afinidade com a Linha das Crianças. Há terreiros que não valorizam os trabalhos feitos por um Erê. Vou deixar aqui uma estória de um médium que viveu em seu desenvolvimento a força de uma força espiritual chamada Pedrinho a criança na “Umbanda”

TIA, QUERO BOLO!

Alice não queria sair da cama, mas seu despertador já tocou pela terceira vez.

– “Mal fechei os olhos e já tenho que levantar”, pensou. Era dia de trabalho, o ônibus em breve estaria no ponto. Em menos de dez minutos, banhou-se, trocou de roupa, engoliu alguma coisa, e estava a caminho da firma.

Sua vida perdera toda graça, parecia uma comida sem sal e sem tempero, uma foto feita apenas de cinza. Naquela cidade grande, selva hostil de concreto e metal, não tinha mais ninguém. Sua filha faleceu quando era ainda um bebê; seu esposo se afastará, nunca mais amara novamente…, e seus pais, que moravam em outra cidade, mal lembravam dela.

Seus dias eram trabalhar, pegar ônibus e, quando chegava em casa tarde da noite, se perder no primeiro filme ou série que achava na TV.  Isto quando não perdia o sono, e virava a noite olhando redes sociais de gente famosa. Para ela era tão injusto como a vida deles era fácil. Desejava morrer e nascer outra pessoa…

– “Tia, quero bolo”.

Alice sabia que não era feliz, sentia que precisava de mudanças. Porém, já perdera a confiança nela mesma. Em outras ocasiões, esforçava-se para melhorar sua condição, enchia-se de esperança, mas depois tudo voltava à mesma. Hoje, sente-se esgotada e cansada, só queria deitar, dormir e esquecer o mundo. Cada vez mais estava convencida que não tinha mais jeito na vida.

– “E não é um bolo de qualquer jeito que quero, tia. Quero um bolo preto, com muito chocolate”.

Aquele dia foi demais. Apesar de toda correria, chegara atrasada no trabalho e seu chefe fizera questão de repreendê-la na frente dos colegas. Ana, que estava de olho no seu cargo há muito tempo, insinuara que estava na hora da empresa renovar seus funcionários. Alice se segurou para não partir para cima. Mesmo assim, recebeu do chefe uma “folga não remunerada” no dia seguinte.

– “Quero guaraná também, tia. Desses bem doces”.

Alice se sentia arrasada. O mundo todo estava contra ela. Tudo o que desejava era ficar quieta no seu canto, enquanto esperava seus dias acabarem. Porém, sempre surgia um infeliz para persegui-la. Naquele dia, ódio, raiva, tristeza, angústia, desamparo, tudo se movia dentro dela. A vida perdera sentido e propósito. Tanto se perdera nos seus pensamentos que passara do seu ponto de ônibus. Teria que caminhar um grande trecho para casa. Era só o que faltava.

– “Tia, cadê o meu bolo. Tô com fome!”

Parou numa padaria na esquina de uma rua sem asfalto. Aparentemente, estavam já encerrando, mas entrou mesmo assim. Pediu um pedaço de bolo e refrigerante, faz tempo que sentia uma vontade intensa de comer doce. Quando finalizou, chamou a atendente, uma senhora de roupas brancas, para pedir as contas.

– “Moça, isto aqui não é uma padaria não, e sim um terreiro de Umbanda. Fique tranquila, não vamos te cobrar nada. Mais cedo, tivemos uma gira de Cosme e Damião. Eu mesmo ia comer este resto de bolo e refrigerante, mas senti que devia guardá-los.  E não é que eu estava certa? Você pareceu tão feliz comendo este bolo de chocolate!”

Feliz… Alice se assusta com a palavra. E ficou muito surpresa de alguém achar que ela parecia feliz. “Deve ser esse povo da macumba, são tudo uns doidos”, pensou.  “Eu feliz? Impossível!”…

Alice se assustou novamente. Percebe-se rindo e sorrindo! “O que tem de diferente nesse bolo que me deram?”

“Moça, este bolo foi pedido pelo próprio Pedrinho. Ele mesmo falou cada detalhe dele. Chocolate com recheio de chocolate e cobertura de chocolate, do jeito que ele gosta. Se quiser, sexta-feira vai ter outro trabalho, volte aqui, será bem-vinda”.

A última coisa que Alice planejava era voltar ali. Agradecendo A, inventou uma desculpa e continuou o caminho para casa. A lembrança do sabor do bolo e do refrigerante, contudo, se mantivera fresca na sua memória. Realmente estava delicioso e, de alguma maneira que não compreendia, sentia-se mais viva. Quem sabe aquele lugar não era de todo ruim.

– “Tava gostoso o bolo, né tia?”

Dormiu mais tranquila. Ainda estava zangada com o que aconteceu no trabalho. Acreditava que todos queriam o seu mal. E não sabia como evitar. Teria que continuar naquele trabalho infernal. Mas uma coisa tinha decidido: ia aproveitar aquela sua “folga não remunerada”. Ia se permitir fazer o que queria e gostava, não importa o que os outros pensassem.

– “Fiquei contente em te ver lá hoje, tia. Você não me escuta, mas eu escuto você. E vejo tudo o que te passa. Vou cuidar de você agora, tá tia? Confia em nós, as coisas vão mudar. Seu coração sentirá que não está mais sozinha. Amanhã vamos brincar juntos”.

Ainda passaria alguns anos antes que Alice alcançasse uma vida que considerava feliz. Não foi fácil a mudança, porém de alguma forma tudo se resolvia. Conheceu novas pessoas, começou a namorar, mudou de trabalho. E depois de um tempo, recordou-se daquele bolo. “Foi ali que a minha vida começou a mudar”, percebeu. E sem saber porque, retornou àquela mesma “padaria”.

A senhora ainda estava lá, cheia de fios brancos. Agora vestia camisa, shorts e um boné azul. Havia balões por todo lado, doces de todo tipo, refrigerante e suco, crianças corriam por todo lado, parecia uma verdadeira festa. Timidamente, aproximou-se da senhora e se sentou ao seu lado. Ela sorria alegremente.

“Finalmente você veio, tia! Como esperei por você para brincarmos juntos nessa casa. Eu me chamo Pedrinho e vou te apresentar um monte de gente legal.

Saravá as crianças na Umbanda!

Crianças ou Ibejada são espíritos que incorporam em médiuns da Umbanda e de outras religiões afro-brasileiras, trazendo nomes infantis. Caracterizam uma criança na forma de falar, nos gestos, na inocência das brincadeiras, transmitindo muita alegria na maioria das vezes. São representados em imagem tripla (Cosme, Damião e Doum) ou sincretizados na imagem dos santos gêmeos Cosme e Damião, e em algumas regiões chamados também de Crispim e Crispiniano.

Estudo Mãe Bia.

"Espalhe esse Axé! Compartilhe com seus irmãos:"

2 thoughts on “Béjí Beijada Erê! Oni Bejada!

  1. Muito Bom! E tem gente que nao acredita! é preciso se abrir para conhecer o novo que as entidades nos apresentam!

Comments are closed.