Introdução
Dentro dos milhares de terreiros espalhados pelo mundo, as correntes estão cheias. Mas, se olharmos de perto, identificamos dois grupos: os que são Umbandistas e os que apenas estão Umbandistas no dia da gira. No Terreiro Pena Verde, em Florianópolis, aprendemos com nossa zeladora, Mãe Bia, que a mediunidade não é um botão que se liga no atabaque e se desliga na porta da rua. É uma ciência da alma.
1. O Umbandista de Fim de Semana: A Fé de Conveniência
Este perfil enxerga a espiritualidade como uma muleta ou um passatempo para as horas vagas.
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O Gênio da Lâmpada: Acredita que as Entidades são empregadas de seus desejos. Quer prosperidade e saúde sem oferecer esforço ou reforma íntima. Quando a provação bate à porta, revolta-se contra o sagrado.
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A Vergonha do Axé: Esconde sua identidade. No círculo social, nega a Umbanda por medo do julgamento, perdendo a chance de ser luz e exemplo.
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O Cansaço Seletivo: Reclama da duração do trabalho e do tempo em pé. Mal a gira acaba, já quer voltar à rotina sem refletir sobre o que ouviu dos Pretos Velhos ou dos Caboclos.
2. O Umbandista Verdadeiro: Sacerdócio e Suor
Para o médium visceral, o terreiro é a escola, mas o mundo é a prova. Ele entende que o Axé deve ser carregado no caráter, 24 horas por dia.
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A Preparação Começa no Alvorecer: Ele sabe que é um “aparelho”. Respeita o preceito, evita vícios e limpa sua matéria. Conforme os ensinamentos da Vó Rosa, ele utiliza o poder das 7 ervas de Umbanda (como Manjericão, Arruda e Alecrim) para manter sua frequência elevada.
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A Disciplina do Silêncio: Pratica a Oração das 23h30, visualizando o perdão e a higiene mental. Ele entende que a verdadeira caridade começa com a sua própria mudança interior.
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Resiliência no Axé: Ele não foge da chuva ou de um leve mal-estar. Compreende que o terreiro é um hospital espiritual; se está debilitado, é aos pés dos Orixás que encontrará o verdadeiro revigoramento.
3. A Sabedoria da Raiz: Falar a Mesma Linguagem
Mãe Bia sempre nos recorda: “Aprendi Umbanda com quem não sabia ler, mas que manifestada, escrevia e falava idiomas desconhecidos pela matéria”. Isso nos ensina que o fundamento real não está em cursos superficiais, mas no Zelo.
Ser umbandista verdadeiro exige:
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Estudo das Ervas: Compreender que as plantas são ferramentas de imantação.
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Zelo pelas Guias: Entender a ciência por trás de cada conta e elemento.
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Respeito à Curimba: Saber que o som do atabaque não é barulho, é o chamado da ancestralidade que exige postura e vibração.
Conclusão: Ainda há tempo para o despertar
A Umbanda é a oportunidade que o Plano Astral nos concedeu para corrigir defeitos e alcançar o progresso. Se você se identificou com o perfil de “fim de semana”, não se culpe — transforme-se. O Reino de Oxalá é grandioso, mas exige merecimento.
“A fé não faz as coisas serem fáceis, faz com que elas sejam possíveis.”