O VISCERAL E O DILACERANTE
A Profundidade da sua Fé
Muitas vezes, a paixão pela Umbanda nos leva a lugares perigosos, especialmente nas redes sociais. Recentemente, uma jovem médium questionou: “Pai, estou errada em brigar para defender minha religião? Os Orixás não se orgulham de mim?” Essa dúvida esconde uma ferida que precisamos tratar: a diferença entre viver a fé nas entranhas ou viver a fé na pele.
1. O Reflexo Reverso das Redes Sociais
As redes sociais funcionam como um palco de “gladiadores ascensionados”. Muitas vezes, o indivíduo insiste em ser na internet o que ele, no fundo, ainda não conseguiu ser na vida real. Quando alguém ataca a religião, ele não sente que atacaram os Orixás, ele sente que atacaram a sua própria máscara. Isso não é defesa da fé; é insegurança pessoal.
2. O Ensinamento do Branco e do Dia a Dia
De nada adianta vestir o branco no terreiro, baixar o arquétipo do “purificado” e, ao tirar a guia do pescoço, viver uma “vida loka” sem resiliência.
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O Preto Velho ensina paciência e observação.
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O Caboclo ensina determinação e coragem. Se esses códigos não se tornam sua conduta fora do terreiro, há algo estranho no seu desenvolvimento.
3. Visceral vs. Dilacerante
Existem duas maneiras de viver sua espiritualidade:
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VISCERAL: É o que está nas entranhas, consolidado na carne. Você é Umbanda. Se você é, não precisa convencer ninguém. Você não sai na rua tentando provar que seu RG é um RG; você simplesmente o possui.
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DILACERANTE: É a postura que dói porque ainda não está assentada. É superficial e opera na fragilidade. Qualquer crítica te “rasga” porque você ainda precisa da aprovação externa para acreditar na sua própria escolha.
4. Umbanda não é Escudo, é Essência
Se a Umbanda em mim é visceral, eu não a pratico, eu a respiro. Eu metabolizei o Caboclo, o Preto Velho, o Erê e o Exu. Eles fazem parte das minhas sinapses. Quando você atinge esse estado, a necessidade de impor sua verdade desaparece. O barulho do mundo não afeta quem tem o silêncio do fundamento por dentro.
“Para quem não quer ouvir o diferente, não há palavras que bastem. Para o bom entendedor, um ponto é sempre suficiente.”
— Estudos de Mãe Bia —