POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ?

"Pés descalços no terreiro simbolizando a simplicidade e o fundamento da Umbanda."

Reflexão sobre a Essência da Umbanda

Depois de alguns anos militando na Umbanda, comecei a desenvolver um senso crítico no que diz respeito à nossa religião. Passei a observar as mudanças, as evoluções, os retrocessos e o comportamento — enfim, tudo o que se refere ao dia a dia da Umbanda.

Uma coisa tem me incomodado muito: a falta de simplicidade observada nos terreiros. Quando iniciei na Umbanda, bastavam os pés no chão, uma roupa branca e algumas velas no altar para o terreiro estar pronto. As entidades estavam sempre presentes, os consulentes eram atendidos e os médiuns sentiam-se felizes por estarem ali. Havia uma atmosfera propícia para a prática do bem. Nosso aprendizado acontecia dentro do terreiro, ouvindo o dirigente, as entidades e os mais experientes.

A Evolução vs. A Invenção

Muitos dirão que a evolução é importante e faz parte da vida. Concordo. Mas penso que deve ser uma evolução inteligente e coerente. Infelizmente, tenho visto muitos inventarem rituais, fundamentos e práticas que beiram o absurdo. Outros buscam em religiões alheias práticas que nada têm a ver com a Umbanda, tudo em nome de uma pretensa evolução.

Vejo uma idolatria excessiva à figura do “Pai de Santo” ou a determinadas entidades. Em muitos casos, a espiritualidade fica em segundo plano. Hoje, Orixá virou sobrenome e até propriedade pessoal; terreiros viraram desfiles de moda ou concursos de fantasias.

O Saber Entrar e Sair

Aprendi que, ao visitar outro terreiro, devemos saber entrar e sair. Minha Mãe de Santo nos ensinou que, quando visitamos outra casa — salvo se formos convidados pelo chefe do terreiro — somos assistência. Nosso lugar é “na fila do passe”, como ela dizia.

O que ocorre hoje é bem diferente: dirigentes que exigem que se dobrem atabaques para eles e que se prestem reverências. Muitas vezes, ainda saem criticando ou caçoando do trabalho alheio. E por que tudo isso? Justamente porque a espiritualidade, para eles, tornou-se apenas um detalhe. Não sei onde isso vai acabar; espero que a consciência retorne antes que a essência se perca.

— Até aqui, texto de Marco Boeing.

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A Reflexão do Médium: A "Frescura" vs. O Trabalho

Este texto de grande reflexão me fez compartilhar estas palavras, pois vejo pontos que realmente necessitam ser revistos. Existe muita “frescura” de alguns médiuns que se acham o “último biscoito do pacote”. Reclamam de tudo, mas na hora de trabalhar, nada fazem; apenas cuidam da vida alheia.

Se acham especiais por darem passes ou consultas, mas não observam os resultados. Será que uma pessoa que dedica seu tempo a reparar a vida dos outros tem, realmente, guias de luz ao seu lado?

A Espiritualidade como Sociedade

Sabemos que a espiritualidade é uma sociedade: nós entramos com o corpo e os Guias entram com a sabedoria. Temos um papel importante nessa união. Precisamos nos preparar, fazer nossas orações, manter bons pensamentos e tomar nossos banhos de ervas. Devemos buscar uma sintonia que permita uma junção real com os emissários da Umbanda.

Não adianta vestir branco e encher o pescoço de guias multicoloridas se, por baixo da roupa, nossa mente está tomada por pensamentos autodestrutivos. Devemos ser honestos conosco e não jogar a culpa de nossas deficiências no irmão.

Infelizmente, é duro constatar: a Umbanda é para muitos, mas muitos não pertencem à Umbanda. Ainda carregam no coração defeitos que impedem a aproximação dos trabalhadores de Aruanda. Creio que muitos dirigentes e médiuns deveriam, diariamente, tomar bons “banhos de humildade” para entenderem, de fato, o que é a mediunidade.

“Na doutrina da Vó Rosa, o luxo é a caridade e a maior riqueza é a humildade.”
– Vó Rosa de Aruanda

Este é o meu desabafo. Meirelles — Filho da Umbanda. (Inspirado nos estudos de Mãe Bia e na vivência do Terreiro Pena Verde)

Axé!

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