Iemanjá - O Trono da Geração
Mãe d'água, Sereia, Rainha do Mar é IEMANJÁ.
Iemanjá: A Mãe da Vida e a Senhora dos Ciclos no Pena Verde
Fevereiro chegou, e com ele a vibração azul e branca que inunda o coração de todo umbandista. Aqui no Terreiro Pena Verde, mergulhamos nos mistérios de Iemanjá, a Rainha do Mar, cuja presença em nossa cultura transcende a religião e se torna parte da identidade do povo brasileiro.
Mas quem é essa Mãe que acalma as ondas e governa nossas emoções? Como ensina a nossa zeladora, Mãe Bia, entender Iemanjá é entender a própria origem da vida.
A Origem Divina: Iemanjá como Trono da Geração
Para compreendermos a magnitude deste Orixá, recorremos aos fundamentos da Umbanda Sagrada. Como bem pontuado por Rubens Saraceni, Iemanjá é a divindade unigênita que emana a qualidade criativa e geradora de Olorum.
Se algo existe, é porque foi gerado. Por isso, Iemanjá é considerada a “Mãe de todos os Orixás”. Ela não é apenas a senhora das águas; ela é o colo maternal que ampara o espírito e o magnetismo que impulsiona a criatividade.
No Pena Verde, aprendemos que ela atua em conjunto com Pai Omolu: enquanto ela gera e expande, ele paralisa o que está desequilibrado. É o equilíbrio perfeito entre o nascer e o transformar.
As Faces da Rainha: Sincretismo e Pluralidade
Você sabia que a Rainha do Mar tem muitos nomes? No sincretismo, ela caminha ao lado de diversas faces de Nossa Senhora — seja Candeias, Navegantes, Conceição ou Aparecida. Mas sua essência é única: Iemanjá é o próprio Mar.
Ela rege os ciclos lunares, influenciando as marés e, consequentemente, as águas internas de cada mulher e de cada filho de fé. É a senhora das mudanças, a protetora dos pescadores e a inspiração dos poetas.
Os nomes que ecoam nas ondas:
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Janaína: A forma carinhosa e sincrética muito presente em nossos pontos cantados.
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Ogunté: A face guerreira, ligada a Ogum, que porta a espada e protege com vigor.
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Kayala: A “Avó da Vida” na tradição Banto (Congo-Angola).
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Sobá (Assabá): A senhora velha e sábia que fia o algodão do destino.
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Inaê: Título respeitoso que significa, literalmente, “Mãe”.
Como Cultuar e Ofertar no Terreiro Pena Verde
Mãe Bia sempre nos orienta que o maior presente para Iemanjá é a nossa fé e o respeito à natureza. Quando vamos à beira-mar, levamos o que ela gosta para se enfeitar: perfumes, flores, espelhos e pentes.
Dica de Sustentabilidade e Axé:
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Cores: Azul claro e branco.
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Bebidas: Champanhe, sidra ou água de rosas.
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Comidas Votivas: Manjar branco, peixe do mar, bolo de arroz ou o tradicional ebôya.
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Dica Especial: Prefira sempre colocar as oferendas sobre toalhas de folhas naturais ou em barquinhos biodegradáveis, respeitando a morada da nossa Mãe.
Conclusão: Um Elo de Amor e Fé
Iemanjá chora quando vê seus filhos sofrerem, mas seu canto tem o poder de nos acalmar e revigorar. Seja você um médium que a sente no Ori (coroa) ou um simpatizante que admira sua força, saiba que o colo de Iemanjá está sempre aberto para quem busca equilíbrio.
Como diz o povo praieiro e as cantigas que entoamos no Pena Verde: “Mãe-d’água, Rainha das ondas, sereia no Mar!”
Odoyá, minha Mãe! Alodê!